Reconhecimento

Acordei com uma frase na cabeça:

"Às vezes o reconhecimento não virá de onde achamos que deveria, e isso nos causará frustração. Ele virá de onde a gente menos espera, e isso nos causará surpresa."

Isso é algo tão perfeitamente humano! Toca numa tensão difícil: reconhecimento e expectativa.

Buscar reconhecimento não tem nada de pequeno. É quase inevitável. A gente quer ser visto — pelo esforço, pela intenção, pelo cuidado, pela presença. Principalmente quando aquilo exigiu algo de nós.

O que costuma doer não é só a falta de reconhecimento. Muitas vezes é a quebra da narrativa que criamos: “essa pessoa vai perceber”, “esse lugar vai valorizar”, “depois de tudo isso, agora vai”. Quando não acontece, parece que houve injustiça.

Só que reconhecimento e valor não obedecem a uma relação direta.

Tem gente incapaz de reconhecer porque está ocupada demais consigo mesma. Tem gente que ama e não sabe demonstrar. Tem ambientes que consomem esforço como se fosse o mínimo esperado. E tem pessoas que enxergam detalhes que nem imaginávamos que alguém estivesse vendo.

Uma coisa que acho interessante: surpresa costuma ser um reconhecimento mais leve que expectativa. Porque ele chega sem cobrança.

Ao mesmo tempo, também acho perigoso cair na ideia de que “não preciso do reconhecimento de ninguém”. Precisamos, sim, em certa medida. Somos relacionais. O problema talvez não seja desejar reconhecimento — é entregar para uma única pessoa ou um único lugar o poder de validar tudo que somos.

Às vezes o lugar onde você mais insiste para ser visto é justamente o lugar que menos sabe enxergar. E isso diz menos sobre você do que parece.

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