Maturidade Infantil

A infância que estão roubando
Existe algo profundamente perturbador acontecendo diante dos nossos olhos — e, pior, muitos fingem não perceber.

Quando crianças deixam de querer ser crianças, alguém está ensinando isso a elas. Não nasce do nada. Não é espontâneo. É um reflexo de um mundo que decidiu empurrar para a infância desejos, vaidades e comportamentos que ela ainda não tem maturidade para compreender.

Crianças repetem o que veem. Imitam o que o mundo aplaude. Vestem o que lhes dizem ser bonito, agem como acreditam que devem agir para serem aceitas. No fundo, continuam sendo apenas crianças — com a ingenuidade, a curiosidade e a confiança próprias de quem ainda não entende a dimensão do mal que existe.

Mas há quem entenda.

Há quem observe.

Há quem espere.

Predadores não precisam de muito. Basta uma brecha. Um ambiente permissivo. Um silêncio coletivo que finja que nada está acontecendo. Eles se alimentam da ingenuidade, da fragilidade e da falsa sensação de maturidade que a sociedade colocou sobre os ombros de quem mal aprendeu a atravessar a rua sozinho.

E quando o pior acontece — porque muitas vezes acontece — surge algo ainda mais repugnante: a plateia.

A plateia que observa a tragédia e, em vez de apontar para o predador, procura falhas na vítima. Questiona a roupa, o comportamento, a exposição, a família. Como se uma criança pudesse, em qualquer circunstância, ser responsável pela maldade de um adulto.

É uma inversão moral tão grotesca que chega a ser cruel.

Porque o predador rouba uma parte da vida.
Mas a sociedade, quando culpa a vítima, tenta destruir o que ainda resta dela.

A verdade é simples, embora muitos se recusem a aceitá-la:
crianças não precisam parecer adultas.

Elas precisam ser protegidas.

E toda vez que esquecemos disso, não estamos apenas falhando com uma geração.

Estamos ajudando a roubar a infância dela.

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