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Maturidade Infantil

A infância que estão roubando Existe algo profundamente perturbador acontecendo diante dos nossos olhos — e, pior, muitos fingem não perceber. Quando crianças deixam de querer ser crianças, alguém está ensinando isso a elas. Não nasce do nada. Não é espontâneo. É um reflexo de um mundo que decidiu empurrar para a infância desejos, vaidades e comportamentos que ela ainda não tem maturidade para compreender. Crianças repetem o que veem. Imitam o que o mundo aplaude. Vestem o que lhes dizem ser bonito, agem como acreditam que devem agir para serem aceitas. No fundo, continuam sendo apenas crianças — com a ingenuidade, a curiosidade e a confiança próprias de quem ainda não entende a dimensão do mal que existe. Mas há quem entenda. Há quem observe. Há quem espere. Predadores não precisam de muito. Basta uma brecha. Um ambiente permissivo. Um silêncio coletivo que finja que nada está acontecendo. Eles se alimentam da ingenuidade, da fragilidade e da falsa sensação de maturidade que a socieda...

Inquietude cidadã

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Não é uma ditadura. Nem de longe! Pelo menos não dessas que aprendemos nos livros. As instituições estão lá. As eleições acontecem. A Constituição continua sendo citada. Mas algo mudou. O poder fala em igualdade. Discursa sobre justiça social. Condena privilégios históricos. E, enquanto fala, reajusta os próprios salários. Amplia benefícios. Preserva garantias que o cidadão comum jamais conhecerá. Não é ilegal. É desconfortável. Existe algo incoerente quando se combate o privilégio vivendo protegido por ele. Enquanto isso, o Judiciário — especialmente o Supremo Tribunal Federal — assume protagonismo crescente. Decide o que o Legislativo não decide. Ocupa o espaço que a política abandona. E quando poucos concentram decisões estruturais, a sensação não é de proteção. É de distância. Mas o que mais me preocupa não está nos prédios de Brasília. Está nas mesas de jantar. Famílias se rompem. Amigos se ofendem. Desconhecidos se odeiam. Pessoas brigam. Humilham. Se agridem. Algumas...

Órbitas que não retornam

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Há pessoas que simplesmente escolhem sair das nossas vidas. Não explicam. Não elaboram. Não sustentam o próprio gesto. Apenas saem. Fecham a porta com a naturalidade de quem troca de sala, como se sentimentos fossem móveis fáceis de substituir. Não se perguntam sobre o impacto, não dimensionam o silêncio que deixam, não calculam o que fica suspenso no ar. Partem. E, ironicamente, algum tempo depois questionam por que não fomos atrás. Por que não insistimos. Por que não lutamos. Como se a responsabilidade pela ruptura fosse de quem permaneceu. Mas há uma diferença fundamental entre abandonar e ficar. Quem sai toma uma decisão. Quem fica apenas respeita. Existe uma maturidade difícil — quase cirúrgica — em compreender que insistir onde alguém deliberadamente se ausentou não é amor, é invasão. Não é cuidado, é negação da realidade. O mundo está cheio de pessoas que confundem liberdade com indiferença. Que trocam vínculos por possibilidades imaginadas. Que enxergam ameaça onde ...

Por enquanto, o tempo

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Achávamos que o tempo esperava, mas era ele quem nos empurrava. Entre promessas feitas com pressa e silêncios que ficaram tarde demais. Vivemos como se houvesse sempre depois, como se o agora fosse ensaio e o amor tivesse garantia. Não tinha. Alguns momentos são insignificantes, outros eternos. Eternos o suficiente para deixar marcas que não aprendem a ir embora. Hoje eu sei: não foi tudo perdido, mas também não foi eterno. Foi real enquanto durou. E se a vida segue, não é por descuido, é porque continuar também é uma forma de amar — por enquanto.