Eles não mudaram tanto.
Outro dia, sentado em uma pizzaria, observei alguns adolescentes. Nada muito diferente do que já vi dezenas de vezes. Um deles levantou, boné torto, postura de quem não pede licença pra existir, saiu pra fumar. A namorada, delicada, bem arrumada — quase um contraste vivo. Na mesma mesa, outros casais. Alguns mais quietos, mais contidos, com aquele ar de “certinhos”. E ali, sem perceber, eu voltei no tempo. Porque era assim antes também. Sempre foi. O grupo nunca foi homogêneo. Sempre houve o deslocado, o intenso, o discreto, o que tenta impressionar, o que observa em silêncio. A juventude muda de estética, muda de linguagem… mas não muda tanto na essência. O que mudou não foi o adolescente. Foi o entorno. Hoje, o professor se cobra para inovar o tempo todo. Quer engajar, quer ser diferente, quer competir com um mundo que grita mais alto que qualquer sala de aula. Mas, no meio disso, algo se perdeu no caminho. O professor vira um “animador de plateia”. O conteúdo perde densidade. A auto...