A brisa também passa
Acordo com o coração em chamas, os olhos banhados de vertigem, como quem renasce antes mesmo do sol. A esperança, tão frágil quanto teimosa, ainda escolhe morar em mim. Recolho os destroços do que fui: ofensas, perdas, traições. Já não sangram. Apenas contam histórias. A dor cumpriu seu ofício em silêncio e partiu deixando cicatrizes que aprenderam a florescer. Hoje, o futuro já não veste o luto dos meus antigos medos. Abre-se diante de mim como um horizonte que respira. O mesmo céu que um dia me pesou sobre os ombros agora me convida a seguir. Sei que a paz é uma ave de pouso breve. Por isso, não tento aprisioná-la. A impermanência torna sagrado o instante, e toda brisa leve passa a ter gosto de eternidade.