Órbitas que não retornam
Há pessoas que simplesmente escolhem sair das nossas vidas. Não explicam. Não elaboram. Não sustentam o próprio gesto. Apenas saem. Fecham a porta com a naturalidade de quem troca de sala, como se sentimentos fossem móveis fáceis de substituir. Não se perguntam sobre o impacto, não dimensionam o silêncio que deixam, não calculam o que fica suspenso no ar. Partem. E, ironicamente, algum tempo depois questionam por que não fomos atrás. Por que não insistimos. Por que não lutamos. Como se a responsabilidade pela ruptura fosse de quem permaneceu. Mas há uma diferença fundamental entre abandonar e ficar. Quem sai toma uma decisão. Quem fica apenas respeita. Existe uma maturidade difícil — quase cirúrgica — em compreender que insistir onde alguém deliberadamente se ausentou não é amor, é invasão. Não é cuidado, é negação da realidade. O mundo está cheio de pessoas que confundem liberdade com indiferença. Que trocam vínculos por possibilidades imaginadas. Que enxergam ameaça onde ...