Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Maturidade Infantil

A infância que estão roubando Existe algo profundamente perturbador acontecendo diante dos nossos olhos — e, pior, muitos fingem não perceber. Quando crianças deixam de querer ser crianças, alguém está ensinando isso a elas. Não nasce do nada. Não é espontâneo. É um reflexo de um mundo que decidiu empurrar para a infância desejos, vaidades e comportamentos que ela ainda não tem maturidade para compreender. Crianças repetem o que veem. Imitam o que o mundo aplaude. Vestem o que lhes dizem ser bonito, agem como acreditam que devem agir para serem aceitas. No fundo, continuam sendo apenas crianças — com a ingenuidade, a curiosidade e a confiança próprias de quem ainda não entende a dimensão do mal que existe. Mas há quem entenda. Há quem observe. Há quem espere. Predadores não precisam de muito. Basta uma brecha. Um ambiente permissivo. Um silêncio coletivo que finja que nada está acontecendo. Eles se alimentam da ingenuidade, da fragilidade e da falsa sensação de maturidade que a socieda...

Inquietude cidadã

Imagem
Não é uma ditadura. Nem de longe! Pelo menos não dessas que aprendemos nos livros. As instituições estão lá. As eleições acontecem. A Constituição continua sendo citada. Mas algo mudou. O poder fala em igualdade. Discursa sobre justiça social. Condena privilégios históricos. E, enquanto fala, reajusta os próprios salários. Amplia benefícios. Preserva garantias que o cidadão comum jamais conhecerá. Não é ilegal. É desconfortável. Existe algo incoerente quando se combate o privilégio vivendo protegido por ele. Enquanto isso, o Judiciário — especialmente o Supremo Tribunal Federal — assume protagonismo crescente. Decide o que o Legislativo não decide. Ocupa o espaço que a política abandona. E quando poucos concentram decisões estruturais, a sensação não é de proteção. É de distância. Mas o que mais me preocupa não está nos prédios de Brasília. Está nas mesas de jantar. Famílias se rompem. Amigos se ofendem. Desconhecidos se odeiam. Pessoas brigam. Humilham. Se agridem. Algumas...

Na contramão — ou em outra estrada?

Imagem
Fico observando as pessoas dizendo que são emocionadas, que querem intensidade. E isso me faz pensar que talvez eu esteja mesmo andando na contramão. Ou, quem sabe, em outra estrada. Porque o que busco na vida é serenidade. Clareza. Paz. Intensidade me soa como algo pesado demais. Urgente demais. Há um ruído grande em torno dessa palavra que, embora costumeiramente vendida como sinônimo de profundidade, na prática muitas vezes encobre ansiedade, carência e medo do silêncio. Intensidade, quando não vem acompanhada de clareza, vira urgência. E urgência cansa, cobra, sufoca. Já confundi intensidade com profundidade. Já achei que sentimento precisava doer para ser verdadeiro. Mas aprendi — muitas vezes à força — que isso não é amor: é ansiedade. Eu não quero relações que queimam rápido demais. Quero vínculos que respiram. Não quero jogos, nem testes emocionais, nem a sensação constante de estar devendo algo a alguém. Quero a tranquilidade de ser eu sem precisar me explicar o te...