Na contramão — ou em outra estrada?
Fico observando as pessoas dizendo que são emocionadas, que querem intensidade.
E isso me faz pensar que talvez eu esteja mesmo andando na contramão. Ou, quem sabe, em outra estrada.
Porque o que busco na vida é serenidade.
Clareza.
Paz.
Intensidade me soa como algo pesado demais. Urgente demais.
Há um ruído grande em torno dessa palavra que, embora costumeiramente vendida como sinônimo de profundidade, na prática muitas vezes encobre ansiedade, carência e medo do silêncio.
Intensidade, quando não vem acompanhada de clareza, vira urgência.
E urgência cansa, cobra, sufoca.
Já confundi intensidade com profundidade.
Já achei que sentimento precisava doer para ser verdadeiro.
Mas aprendi — muitas vezes à força — que isso não é amor: é ansiedade.
Eu não quero relações que queimam rápido demais.
Quero vínculos que respiram.
Não quero jogos, nem testes emocionais, nem a sensação constante de estar devendo algo a alguém.
Quero a tranquilidade de ser eu sem precisar me explicar o tempo todo.
Quero conversas claras, silêncios confortáveis e afetos que não cobram espetáculo.
Talvez o que chamem de intensidade seja apenas a dificuldade de lidar com a calma.
Com o vazio que aparece quando não há drama.
Com o silêncio que revela quem a gente é.
E eu já não preciso que tudo esteja em chamas para sentir que é real.
Prefiro o calor que permanece ao incêndio que consome.
Se isso é andar na contramão, tudo bem.
Algumas estradas não foram feitas para correr — foram feitas para seguir em paz.
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