Fazer as pazes
Existe um sofrimento silencioso que quase ninguém vê.
Ele vive dentro da cabeça de quem insiste em revisitar o próprio passado, como se fosse possível voltar no tempo e corrigir cada escolha feita.
É o sofrimento de quem olha para a própria história e pensa:
eu poderia ter sido mais.
Então começa um tribunal interno.
Sem defesa. Só acusação.
Cada erro vira prova.
Cada falha vira sentença.
Cada arrependimento vira peso.
A mente, quando cansada, pode ser cruel.
Ela revisita decisões antigas com a lucidez que só veio anos depois.
E em meio a este caos, nos esquecemos de algo fundamental:
Todos nós tomamos decisões com o nível de consciência que tínhamos naquele momento.
Não com o que sabemos hoje.
Ninguém escolhe errado sabendo exatamente tudo o que vai acontecer.
Só depois o tempo chega trazendo maturidade, compreensão e, às vezes, arrependimento.
Mas o passado não pode ser reescrito.
E quem se questiona demais quase sempre também se importa demais.
Talvez ninguém esteja quebrado.
Talvez apenas exista gente carregando peso demais por tempo demais.
E talvez o verdadeiro recomeço seja aprender algo difícil:
Não apagar o passado,
mas finalmente fazer as pazes com ele.
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