Estado de Alerta



Tristeza? Angústia? Preocupação?
Nada disso é novidade.
E, ainda assim, não fica mais fácil.

O coração continua apertado, como se estivesse sempre alguns segundos atrasado em relação ao resto do corpo.

A respiração vem curta, ofegante, mesmo quando nada está fisicamente errado.

O sono perdeu o ritmo — quando vem, não descansa; quando vai embora, leva junto qualquer sensação de alívio.

A mente não desacelera. Ela corre, calcula, simula cenários, antecipa tragédias, procura saídas que não existem.

E no meio disso tudo, essa sensação estranha e contraditória de estar vazio e cheio ao mesmo tempo.

Vazio de sentido.
Cheio de pensamentos.

A cabeça não se permite um minuto de descanso e processa mil opções para problemas que, no fundo, sabe que requerem mais sacrifícios do que se pode fazer agora.
Volta sempre ao mesmo ponto.
Revira as mesmas perguntas.

E chama isso de pensar, viver, aguentar.
E o coração responde batendo forte, como se estivesse tentando avisar de um perigo que não sabe nomear.

É exaustivo existir assim.
Em estado permanente de alerta.
Como se algo ruim estivesse sempre prestes a acontecer — mesmo quando, objetivamente, nada está acontecendo.

A sensação de ter chegado ao final da linha é assustadora.
Não porque tudo acabou.
Mas porque tudo em você está cansado demais para continuar fingindo que ainda dá.
Sempre achamos que podemos ir só mais um pouco.
Aguentar mais um dia.
Empurrar mais uma semana.
Apenas atravessar mais um momento.
Sustentar mais uma conversa.

Até o dia em que o corpo e a mente sentam no chão.

E ficam.
Esgotados.
Exaustos.
Cansados.
Esperando algum tipo de reinício.

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