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O valor que não de mostra

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Sinto falta dos gestos de bondade genuínos. Daqueles que não precisavam se transformar em um post, fadado a ser esquecido. Daqueles que, ao serem lembrados, ainda hoje abrem um sorriso no rosto. Sinto falta da generosidade de outros tempos, feita pela honra de ajudar, e não pela busca de aprovação social. Sim, eu vivi esse momento. Um tempo que não está registrado em fotos, mas talvez em uma carta escrita à mão — sim, à mão! — em folhas já amareladas que, ao reler, me fazem viajar no tempo. Onde foi parar a bondade? Onde estão as pessoas de bom coração? Teriam entrado em extinção? Não, meu caro, com certeza não! Elas apenas continuam sendo quem sempre foram: discretas, sem jamais querer transformar suas belas e fiéis ações no centro das atenções.

Direitos sem deveres, futuros sem rumo

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Às vezes, sinto um peso enorme no coração ao olhar para essa geração que está se formando diante de nós. Uma geração que coloca o prazer antes das obrigações, que acredita que tudo deve ser fácil, rápido e imediato. Direitos são exigidos com veemência, mas os deveres, esses, parecem invisíveis. É como se o equilíbrio tivesse sido esquecido. O futuro? Muitos não o enxergam. Não é planejado, não é sonhado com esforço, não é construído com disciplina. É tratado como se fosse cair do céu, como se bastasse existir para conquistar. E quando algo exige dedicação ou paciência, a frustração vem como um muro intransponível. Afinal, ouvir um “não” ou enfrentar uma dificuldade tornou-se quase insuportável. Como professor, me dói ver isso. Porque sei que a vida não perdoa a falta de preparo. Ela cobra, e cobra caro. Não existe caminho fácil, não existe vitória sem esforço, não existe direito sem dever. Mas parece que muitos se esquecem disso. O que me entristece ainda mais é perceber qu...

Romantismo da docência

     Ser professor no Brasil, muitas vezes, é aprender a viver entre o amor pela profissão e a dor de ser invisível. É entrar em sala de aula todos os dias carregando uma responsabilidade imensa, mas sem o devido apoio.      A gente aprende a acreditar que cansaço extremo, ansiedade e noites mal dormidas são “parte do trabalho”. E, pior ainda, aprende a se calar, porque reclamar é visto como fraqueza ou falta de vocação.      O problema é que esse silêncio tem um preço alto. Segundo pesquisas recentes, o Brasil está entre os países com maior índice de professores afastados por problemas emocionais e psicológicos.      O burnout docente deixou de ser exceção para se tornar rotina. Ansiedade, depressão e estresse não são apenas palavras soltas em relatórios médicos; são rostos exaustos, vozes embargadas e vidas que vão se apagando pouco a pouco.      E, mesmo assim, a sociedade naturaliza. O professor que trabalha ...

Momentos

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Em algum momento deixei de ser menino e me tornei homem — mas esqueceram de me avisar o quanto amadurecer pode ser difícil e, ao mesmo tempo, lindo. Em algum momento deixei de ser apenas filho e me tornei pai. Foi então que compreendi quando dizem que o coração pode bater fora do peito. Em algum momento amei e, tempos depois, achei que não seria capaz de me reerguer. Mas o tempo passou... e amei muitas outras vezes. Pois em algum momento aceitei que, mesmo com o enorme risco da dor dilacerante, amar ainda é uma das melhores coisas da vida. Em tantos momentos já sorri e já chorei — ora por dor, ora por alegria. Já fui poeta, pensador, dono da verdade... e também o homem mais ignorante do mundo. E, muitas vezes, tudo isso ao mesmo tempo. Em algum momento fiz amigos para a vida toda, mas não fui avisado de que alguns partiriam, tornando-se apenas o que já eram antes: mais uma pessoa no mundo. Em algum momento fui mudado — até mesmo ao escrever este texto. Porque, no fim, o que...