A chuva, a varanda e eu.
Havia uma beleza quase exagerada naquele lugar. A chuva caía fina, delicada, como se tivesse sido cuidadosamente escolhida para não atrapalhar ninguém. Molhava as folhas, escurecia a madeira, fazia as montanhas ao longe desaparecerem na escuridão. As luzes dos apartamentos se espalhavam pelo terreno em pequenos pontos amarelos, refletindo nas superfícies molhadas e dando ao lugar uma aparência quase irreal. O cheiro de terra molhada subia do jardim e se misturava ao ar fresco da noite. Era o tipo de lugar que as pessoas fotografavam. O tipo de lugar que faria qualquer um pensar que tinha tido sorte de estar ali. Talvez fosse justamente por isso que eu não conseguisse entender o que estava acontecendo comigo. Não havia nada de errado com aquele lugar. Pelo contrário. Tudo parecia ter sido colocado no lugar certo: a natureza, a chuva, as luzes, o frio agradável da noite, as pessoas certas ao redor. E ainda assim, sentado naquela varanda, tudo o que conseguia pensar era em voltar para c...