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A queda do orgulhoso

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Oh, quão alto ergue-se o soberbo, Na ilusória torre de marfim, Cego aos ecos do vento eterno, Que murmura: “Tudo tem seu fim.” Do espelho emerge a vaidade, Reflexo que turva o coração, Esquecendo que a verdade Floresce na humilde contrição. Caminha altivo, semeando desprezo, Ignorando as vozes no chão. Mas a vida, com sutil ensejo, Ensinará sua dura lição. Pois quem só vê sua glória frágil Não percebe a sombra que o cerca. E no passo seguinte, em queda ágil, Descobre a solidão que o aperta. Ó alma que anseia por grandeza, Recorda o ciclo da criação: É na humildade que a natureza Encontra sua mais pura razão. Deixa o orgulho, aprende a escuta, Cultiva a paz e a gratidão. Somente quem ao outro se ajusta Ergue, de fato, sua mansão.

As cores que o cinza revela.

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Em dias nublados, eu vejo cor no mundo, não como um escape, mas como um destino. Há um peso no cinza que me faz lembrar que a beleza, às vezes, repousa na sombra. O silêncio do céu anuncia verdades que o sol, em sua glória, jamais ousaria. O chão úmido respira, e o ar, mais denso, traz a gravidade que equilibra a alma. Não é fuga, é escolha. Escolho ver o contraste, o detalhe esquecido, o brilho sutil na borda da tempestade. A vida não espera que o dia clareie; ela pulsa mesmo no escuro, nas nuances que poucos olham. E assim, quando o mundo se apaga, eu pinto com o que carrego por dentro.

Perder-se

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Perder-se é um ato de coragem, desfazer os mapas, romper as margens. Caminhar por becos de sombra e espelho, onde o silêncio revela o que há de mais velho. No caos das rotas que se despedaçam, as verdades caem, os medos se abraçam. Mas é na ausência do rumo que o eco renasce, e o vazio se faz solo onde a alma se refaz.

Bem que transborda

Quero-te bem, mais que ao vento Que sopra leve a canção do tempo. Esse querer não é de hoje, nem de ontem; é coisa que o tempo forjou no silêncio. Já vivi dores que o mundo não contou, já celebrei vitórias que ninguém viu. Aprendi que querer bem não é promessa, é olhar a vida do outro e sorrir por dentro. Teu caminho é teu, mas o acompanho de longe, sem invadir, sem cobrar. Apenas torcendo. Cada passo teu é um peso a menos no peito, uma prova de que a vida ainda pode ser justa. Não te desejo nada além do que te faz grande. Não espero nada em troca, só tua liberdade. Se brilhas, iluminas meus dias já longos, e no reflexo do teu riso, encontro meu descanso.