Crise


Há dias em que acordamos com o coração descompassado
e a cabeça fora do lugar.

Ansiedade.

Pensamentos embaralhados.
Uma tristeza sem explicação.

Procura-se um colo.
Um abrigo.
Um refúgio.
Um carinho.

Fases.
Crises.
Frescura.
"Inexplicável."

O tempo passa.

Respiração ofegante.
Olhos fechados.
Corpo encolhido, em posição fetal.

Desprotegido.
Inconsolável.

A busca por uma explicação.
Por algum entendimento.

Nada.

Entender ajuda.
Mas perseguir uma razão, às vezes, é mais uma forma de desmoronar.

Então resta dar tempo ao tempo.

Fazer do momento, presença.
Da sensação, companhia.
Da fragilidade, morada.

Até que, sem aviso,
o peito se aquieta.

Os sentimentos se desfazem como névoa.

E seguimos.

Ainda em passos cautelosos.
Ainda em ritmo incerto.

Porque a crise raramente diz adeus.

Ela apenas sussurra:

até breve.

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