Entre o que fomos e o que ainda seremos
2025 não foi um ano para slogans. Foi um ano de fraturas expostas. Nada se resolveu por inteiro, quase nada terminou de fato. Seguimos vivendo numa espécie de parêntese histórico, em que o mundo parece sempre à beira de alguma coisa — sem saber exatamente de quê. O planeta continuou aquecendo, mas não apenas no termômetro. O clima político seguiu inflamado, as democracias testadas, a paciência coletiva rarefeita. As guerras não pediram licença ao calendário; atravessaram o ano com a mesma indiferença cruel com que atravessam a vida dos que nelas não mandam nada. Gaza seguiu sendo uma ferida aberta, a Ucrânia um lembrete incômodo de que a guerra voltou a ser “normal”, e o discurso da paz, cada vez mais, virou peça retórica de cerimônia oficial. A tecnologia, como sempre, correu na frente. A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a ser presença cotidiana — escrevendo textos, corrigindo provas, sugerindo diagnósticos, criando imagens que parecem sonhos alheios...