Deus não me explica. E tá tudo bem.
É curioso como as pessoas se interessam tanto pela minha religião — ou pela ausência dela. Talvez isso se intensifique por causa das minhas formações. Ouço com frequência frases como: "Todo professor de física é ateu", ou "Mas você não tem religião?". Me lembra muito quem tenta descrever a gente com base em signos: um esforço de encaixar o incompreensível em rótulos confortáveis.
Então, vamos lá:
A concepção de Deus proposta pelas religiões tradicionais já não me faz sentido. Não porque não acredito em algo maior, mas porque vejo incoerência em tentar explicar o que, por essência, deveria ser inexplicável. Em limitar o que dizem ser ilimitado.
Acredito em energia.
Acredito em pessoas boas e ruins.
Acredito em energias positivas e negativas.
Acredito que, se alguém precisa temer um ser superior para agir corretamente, então essa pessoa nunca foi, de fato, boa.
A vida está cheia de ateus que criam instituições filantrópicas e de cristãos que espalham ódio, preconceito e dor em nome de algo que deveria representar amor.
Existe o bem. Existe o mal.
Existe o desconhecido — aquilo que nos silencia, nos fascina, nos transborda. Existem atitudes que, mesmo não sendo nossas, nos fazem sentir orgulho… ou vergonha.
E por que insistimos em atribuir essas ações a Deus ou ao Diabo?
Talvez porque seja da natureza humana terceirizar responsabilidades. Criar entidades supremas que justifiquem nossa existência — ou amenizem nosso medo de sermos tão pequenos diante do universo.
Como se fosse preciso encontrar explicações para a vida e a morte, só para dar algum sentido ao caminho entre uma e outra. E às vezes está busca é tão intensa, que não se admira as paisagens do caminho
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