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Mostrando postagens de setembro, 2025

Quase uma oração

Tenho trabalhado muito minha mente para desconstruir aquilo que enraizaram no meu subconsciente: a ideia de que, como professor, devo mudar o mundo ou reparar o descaso que parte desta geração tem pela educação. Não sou salvador da pátria, nem herói. Sou um profissional formado e capacitado para ensinar. Na faculdade, não me ensinaram a sacrificar minha saúde física e mental para convencer os alunos de que precisam ser estudantes. Meu compromisso é dar o melhor de mim àqueles que desejam aprender. Esses merecem meu esforço. Quanto aos demais, que colham o que plantaram. E quando tentarem me culpar pelo fracasso, minha meta é não me deixar abalar e ter a clareza de que estive em sala de aula por todos, mas que nem todos estiveram lá para aprender. Quando os pais vierem reclamar, culpar-me e colocar os filhos em altares invisíveis, que eu tenha a sabedoria de dizer o que precisa ser dito: durante um ano inteiro não se preocuparam com a vida escolar deles, e agora precisam colher, junto c...

O valor que não de mostra

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Sinto falta dos gestos de bondade genuínos. Daqueles que não precisavam se transformar em um post, fadado a ser esquecido. Daqueles que, ao serem lembrados, ainda hoje abrem um sorriso no rosto. Sinto falta da generosidade de outros tempos, feita pela honra de ajudar, e não pela busca de aprovação social. Sim, eu vivi esse momento. Um tempo que não está registrado em fotos, mas talvez em uma carta escrita à mão — sim, à mão! — em folhas já amareladas que, ao reler, me fazem viajar no tempo. Onde foi parar a bondade? Onde estão as pessoas de bom coração? Teriam entrado em extinção? Não, meu caro, com certeza não! Elas apenas continuam sendo quem sempre foram: discretas, sem jamais querer transformar suas belas e fiéis ações no centro das atenções.

Direitos sem deveres, futuros sem rumo

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Às vezes, sinto um peso enorme no coração ao olhar para essa geração que está se formando diante de nós. Uma geração que coloca o prazer antes das obrigações, que acredita que tudo deve ser fácil, rápido e imediato. Direitos são exigidos com veemência, mas os deveres, esses, parecem invisíveis. É como se o equilíbrio tivesse sido esquecido. O futuro? Muitos não o enxergam. Não é planejado, não é sonhado com esforço, não é construído com disciplina. É tratado como se fosse cair do céu, como se bastasse existir para conquistar. E quando algo exige dedicação ou paciência, a frustração vem como um muro intransponível. Afinal, ouvir um “não” ou enfrentar uma dificuldade tornou-se quase insuportável. Como professor, me dói ver isso. Porque sei que a vida não perdoa a falta de preparo. Ela cobra, e cobra caro. Não existe caminho fácil, não existe vitória sem esforço, não existe direito sem dever. Mas parece que muitos se esquecem disso. O que me entristece ainda mais é perceber qu...